Ricardo Castilho

Minha entrada no mundo das bebidas aconteceu de maneira triunfal: um grande porre de uísque, um blend e tanto! Eu tinha à época, 5 anos e, depois de um coquetel na minha casa, enquanto meus pais levavam os convidados ao portão, não titubeei e misturei o que sobrou nos copos. Minha sorte é que, naquele tempo, a moda era beber o destilado com muito gelo e guaraná. Nem levei umas palmadas. Dormi antes.

Claro que, depois disso, a marcação foi cerrada e só fui liberado para uma farrinha aos 8 anos, quando nos almoços de domingo, minha mãe misturava água e açúcar e um pouco de vinho. Era uma espécie de garrafa azul caseira. Aliás, tive sorte em não me ter iniciado na beberagem da garrafa azul. Em casa sempre foi bom o estoque de chilenos, de vinho do Porto e do branco português Casal Garcia, um dos preferidos do meu pai. Vale lembrar que eram anos de mercado fechado aos importados e poucas marcas enfeitavam as prateleiras dos supermercados. Hoje, são perto de 20 000 rótulos diferentes.

E foi com esse currículo etílico que cheguei à redação da revista Playboy, da Editora Abril, recém formado e com passagem pela assessoria de Lucy Montoro, primeira-dama do Estado de São Paulo.  Numa época em que era um orgulho trabalhar para políticos do nível de André Franco Montoro, cheguei a um templo de craques, uma verdadeira faculdade de jornalismo.

Foi ali que entrei no mundo glamouroso das bebidas: lavando e numerando as taças das degustações e fazendo a função de bedel, conferindo se os degustadores estavam bem compenetrados. O bom é que eu não precisava mais seqüestrar o que sobrasse nas taças; nos bastidores, provava de todas as amostras e tirava minhas próprias conclusões.

Como era hora de levar o negócio mais a sério, fui fazer cursos de vinhos portugueses com o Carlos Cabral, freqüentei os da Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho e depois os da Associação Brasileira de Sommeliers.

Essa brincadeira na Playboy durou longos e inesquecíveis 14 anos. Uma de minhas alegrias quando sai da Abril foi que ninguém escreveu algo do tipo: “Partiu para novos desafios”, mas, sim, um “volte logo”. Pois é, já faz quase oito anos e ainda não pude voltar.

Depois do mundo de sonhos da Playboy, parti para outra viagem encantada. A de Camelot, não a dos cavaleiros, infelizmente, mas a da selvageria dos banqueiros, aqueles sem Pátria e sem Patrimônio moral. Para quem conseguiu ler até aqui, dou um conselho na linha de auto-ajuda: se algum dia você trabalhar em uma empresa e ela for comprada por um banco de investimento, não pense duas vezes: procure outro emprego imediatamente, pelo menos é o que adverte o Ministério da Ética e da Honestidade.

Depois de passar por esse pandemônio de cifras inescrupulosas que envolvem os chamados bancos de investimento, encontrei a 4 Capas, editora que apostou no projeto Prazeres da Mesa, revista que está no mercado desde junho de 2003. A Prazeres ou Mesa, é assim que é carinhosamente chamada, nasceu de uma paixão pela gastronomia, mas também pelas idéias e força de Cláudia Esquilante, e do amor de Carolina, Junior e João Pedro, minhas quatro luzes preciosas, que iluminam meus caminhos nos bons e maus momentos.

Quanto ao futebol fazer parte do meu blog, não se assuste, não vou lançar uma revista sobre o assunto. É só para provocar os “meus amigos e os meus inimigos”.

Um forte Abraço!
Ricardo Castilho


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